Carlos Gaspar* 15.03.1992
Diz um velho rifão popular que cautela e caldo de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Isto quer significar que sempre é necessário muito comedimento, para que se tome uma atitude ou posição. E parece não haver dúvida de que a maioria dos partidos considerados de esquerda está abraçando esta filosofia, que não deixa de ser também uma estratégia. Continuam discutindo e protelandodecisões acerca de lançamento de um nome à Prefeitura de São Luis. Vale ressaltar, no entanto, que a esta altura, quando o tempo corre mais depressa, os acontecimentos políticos causam desdrobamentos interessantes e tudo caminha para uma solução próxima. A população está ansiosa pelo desfecho das conversações, entendimentos ou definições, para começar a adotar a postura do julgamento e seleção do seu candidato preferido.
Se este, o das eleições majoritárias, tem sido o prato do dia dos comentaristas e analistas políticos, estão todos esquecidos de que, paralela o concomitantemente serão processadas as eleições municipais proporcionais, com o objetivo de assinalar, dentre os inúmeros pleiteantes, aqueles que representarão o povo ludovicense no Palácio Pedro Neiva de Santana. Há pretextos de sobra para que a disputa pelo Executivo desperte mais atenção do que a do Legislativo. Até mesmo por razões de ordem cultural. Afinal de contas, estamos no regime presidencialista, através do qual é habitualmente dada maior ênfase a quem ocupa a presidência da República, a governança do Estado ou do Município. De alguns anos para cá, com o advento da Carta Magna de 1988, por ser ela de arcabouço parlamentarista, é que foi dado relevo, mas apenas na área federal, aos integrantes do Poder Legislativo.
Claro que esta proeminência, que se inicia pelo Congresso Nacional, vai tendo, aos poucos, repercussão nos demais planos. É bem provável que agora a nova composição da Câmara Municipal de São Luís seja vista sob outro enfoque, isto é, com a participação, na campanha eleitoral, de pessoas que até então, por um ou outro motivo, nunca se imaginaria propondo-se a ocupar uma cadeira na edilidade. O exemplo vem de longe. O famosíssimo estadista Giscard Destaing, após exercer a presidência da república francesa, em vez de encerrar sua carreira política, a ela deu seguimento o foi ser vereador na sua cidade natal, nas proximidades de Paris. Isto prova que o poder Legislativo municipal é da mais alta importância, a tal ponto que qualquer administração pode ser inviabilizada, se não houverperfeita harmonia entre ele e o Executivo. Basta recordar o fato recente do projeto de reformulação do sistema de transportes coletivos, para que se possa avaliar as consequêcias do descompasso entre os poderes.
Na cidade do Rio de Janeiro, duas pessoas dc grande projeção politica, social e econômica estão se preparando para conquistar a vereança. Uma delas é o economista Saturnino Braga, ex-senador o ex-prefeito. A outra é o banqueiro Ronaldo César Coelho, sócio majoritário do grupo Multiplic e ex-deputado constituinte, havendo sido candidato ao governo do seu Estado, não logrando êxito. Os dois homens público mencionados com certeza serão autênticos puxadores de votos para suas legendas, propiciando aos partidos a que pertencem a formação de expressivas bancadas, com apreciável poder no momento das decisões importantes.
Convém mencionar, também, em São Paulo a trajetória do senador Eduardo
Suplicy. De deputado federal, após os insucessos nos pleitos para governador e prefeito de São Paulo, candidatou-se a Vereador de sua cidade, tendo operado na Câmara, da qual foi presidente eleito por seus pares, profundas transformações, devolvendo-lhe a credibilidade e a moralidade, de que tanto se ressentia.
Em face desses exemplos, vale a pena lembrar que a discussão sobre as eleições legislativas deve merecer um destaque e uma reflexão muito grande, por parte da sociedade como um todo. A Câmara Municipal é o fôro mais adequado e legítimo, para o debate e o encaminhamento dos problemas de São Luis. Neste momento, segundo consta, a ela está sendo enviado um projeto de lei, que institui o novo plano diretor da cidade, assunto da maior relevância e instrumento de que a administração se faz carente, pois o atual, elaborado há dezesseis anos, já se encontra totalmente superado, pois não atende mais aos modernos conceitos do urbanismo e, por isso mesmo, às aspirações da população.
Assim, vale a pena também aplicar a cautela para definir candidatos e táticas com vistas a formar uma representação homogênea, respeitável e verdadeiramente preparada, para colaborar, de modo isento, com aquele que a população, através de lídima manifestação da expressão democrática, escolher para dirigir os destinos do município. Há nomes de homens capazes, nas mais diversas atividades e que têm prestado inestimáveis serviços à comunidade, a serem lembrados e considerados. Elencar um incontestável números deles poderia ser causa de injustiça àqueles que, não ocorrem à memória. É preciso entender que ser vereador da cidade de São Luís é uma honra, uma honra singular, para qualquer pessoa. Todos estão convocados e ninguém deve se omitir. O próprio prefeito Jackson Lago, com a experiência adquirida no cargo que ora ocupa, em dele se desimpedindo, poderá prestar outro serviço ànossa população, submetendo seu nome ao sufrágio popular e carreando consigo, uma bancada de peso. Se não for possível, nas majoritárias, a coligação, nas proporcionais deve ser considerada fato consumado, para o bem de todos, especialmente do povo esperançoso desta terra.