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                                                  Carlos Gaspar*                      10.03.96

Faz algum tempo que escre­vi, nesta coluna, acerca das elei­ções para prefeito de São Luís. Salvo equívoco, naquela ocasião comentei sobre o mapa que se formava em decorrência de defini­ções das candidaturas. E também quanto ao conhecimento da situa­ção financeira da “intendência”.

Agora, vale a pena estender o tema. A deflagração de campa­nha eleitoral está às portas e se espera dos pretendentes aos car­gos essencialmente duas condutas. A primeira, diz respeito à ética; e a segunda, a projetos na área de políticas administrativas, a serem executadas.

O comportamento, através do vídeo e do microfone, termina por expressar as qualidades e os defeitos do usuário. Assim, aquele que emprega palavreado agressi­vo, atacando e trazendo à tona a vida particular de seus competido­res, maculando-lhes a honra, logicamente é capaz de aderir a qualquer meio para atingir seu es­copo. Afinal, o basilar, no caso, é saber como cada um se portou ao longo de seus mandatos ou de funções públicas anteriores. Pelo menos acredito seja essa ótica das pessoas sensatas.

A faceta desta quadra que está prestes a ser detonada, a meu ver ganha maior realce e extensão, aquela alusiva às propostas dos aspirantes à chefia do Executivo municipal. Isto sim, é extremamen­te valioso, especialmente se aliado ao procedimento moral, espelhado durante os percursos pretéritos dos candidatos.

Dentro de poucos meses, os programas de rádio e televisão invadirão as residências de todos os cidadãos, exibindo os inúmeros partidos e respectivos candidatos digladiando-se entre si, visando obter vitórias, tanto nas eleições proporcionais quanto nas majori­tárias. De hábito, a polêmica no âmbito destas últimas despertará maior atenção, confirmando-se a uma visão estrábica quanto ao mérito dos Poderes. No fundo mes­mo, trata-se de resíduo cultural, originário dos primórdios da colo­nização do país. Devagar começa a mudar.

E se a discussão relevante é sobre os projetos e sua consistên­cia, dos que anseiam por sentar na cadeira número 1 do Palácio de La Ravardière, convém então, aprofundar a análise. É de bom alvitre, com isenção, questionar minuciosamente, ponto por ponto das formulações que forem exibi­das. Delas aguarda-se a exclusão de colocações eminentemente demagógicas, que só fazem confundir o eleitor desavisado. Foi-se a época do engodo, e da ilusão. A sociedade maranhense, em geral, e a ludovicense, em particular, abo­minam os que se apresentam sob a proteção de pele de cordeiro, para esconder as próprias maldades.

São Luís está a merecer, novamente, um prefeito que tenha zelo; que tenha preocupação com a cidade e seu povo; que se inqui­ete com o amanhã. Eu costumo dizer que pertenço a uma geração sofrida, sacrificada. Parece-me injusto ampliar esse padecimento atra­vés dos tempos, transferindo-o aos pósteros.

A administração se asseme­lha a um caudaloso rio, sem desvi­os e interrupções, que corre sem cessar, até desaguar, juntamente com outros, vindos de diferentes regiões, numa imensa bacia. Por esse motivo entendo que ela ja­mais poderá ter solução de conti­nuidade.

A irresponsabilidade de qualquer pessoa, na condução dos negócios municipais, mutilará o sucesso de empreendimentos séri­os e inacabados. Portanto, a seqüência de ações é indispensá­vel para que se opere transforma­ções palpáveis na fisionomia urba­na, quer no aspecto físico ou populacional.

A propósito, ontem estive lendo a revista “Exame”, edição de novembro de 1995. Encontrei-a na mesinha da sala de espera do meu dentista, entre tantas igualmente tão velhas, na data e no folhear permanente dos que aguardam a vez de serem chamados. A repor­tagem principal, constante da capa, é sobre “As dez melhores cidades para fazer negócio”. Não tive dúvi­das. Apressadamente, com a pági­na correspondente à indicação fei­ta, para ser a auspiciosa notícia. Surpreendi-me quando constatei haver sido Uberaba a eleita. Antiga capital do gado, do Zebu, face a sucessivas administrações continu­adas, dentre tantas concorrentes, logrou o primeiro lugar. Esta con­dição é fruto do bom raciocínio, do equilíbrio, da seriedade, da competência daqueles que, um após outro, estiveram à frente da comuna. Pelo que se conclui, não existiam promessas infundadas ou mentiro­sas, durante a refrega pelo posto. Ninguém foi lesado. Nada foi construído sob a égide __________________. Os mandatários se completaram e, por isso, mesmo, foram também completando e construindo a urbe.

Mas, o que tem Uberaba de tão excepcional? Não vou me refe­rir aos privilégios que a natureza e a posição geográfica lhe conferi­ram. Muito menos às coincidentes infraestruturas de que se viu bene­ficiada, em função de interesses externos. Prefiro me deter na parte puramente interna, resultado dos trabalhos que se sequenciaram, em sinal de consideração e promessas exeqüíveis a seus moradores.

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