Arquivo

                              Carlos Gaspar*             16.07.95

Esta semana que passou, foi deveras estafante, tantos os even­tos verificados no curso dos dias. Quase faltou fôlego a muita gen­te interessada, em acompanhar a seqüência de inaugurações, lan­çamentos de livros, exibições folclóricas, encenações teatrais, demonstrações cientificas, e ou­tras apresentações no campo cul­tural. E tudo no contexto da 47ª Reunião Anual da SBPC, que a Universidade Federal do Mara­nhão, aceitando um desafio, re­solveu sediar.

Agora, com a festa terminada em paz e com êxito, fico imagi­nando o trabalho e a responsabi­lidade do Reitor Aldir Melo e sua equipe. Devo enaltercer seu ato de bravura ao concordar em ser anfitrião de um conclave de tão grandiosa importância. Mas va­leu, conquanto os esforços e as dificuldades tiveram sido incontáveis. Em compensação, para deleite dos promotores, a abnegação, o desprendimento e a boa vontade de todos, demons­tradas das mais diversas formas, constituiu-se no estímulo maior para o absoluto sucesso do in­vestimento.

Em uma das reuniões que tive, circunstancialmente, a oportuni­dade de estar presente, afirmei ver na pessoa do Reitor, um au­têntico empreendedor, pois só um homem possuidor da dimen­são das perspectivas que se pro­pagam com um evento dessa categoria, é capaz de trazer em seu espírito, aguardando a hora certa para eclodir, o veio de quem tem a visão voltada para o futuro desta terra em geral, e da institui­ção que dirige, em particular.

Por muitos anos freqüentei o Campus do Bacanga. Dele guar­do a imagem precisa daquela época. Algum tempo depois ali estive como convidado para par­ticipar de um debate. O horário pouco favoreceu, pois ocorreu entre sete e oito da noite. A im­pressão que tive, na oportunida­de, da infra-estrutura e da própria população da área, estaria longe de ser das mais promisso­ras. Saí dali, confesso, com medo da escuridão, das caras feias que via, dos prédios abandonados e dos canteiros e jardins destruídos. Retirei-me, assim, frustrado pela ausência de uma administração eficiente e austera.

Retornando, agora, ao mes­mo local, me deparo com uma feição absolutamente contrastante, em relação à de outrora. Tudo indica, não só aos que aqui moram, como aos vin­dos de outras plagas, que estamos em um centro universitário de primeiro mundo. A organização em geral, a segurança e a limpeza são anota dez. Com essa estrutura, tudo esteve a con­tento, nada faltou.

Não quero me referir apenas aos inúmeros melhoramentos que ganhou a Universidade em si, através de recuperação e cons­truções de prédios há muito ini­ciados, outros edificados, equi­pamentos científicos adquiridos, reformas e adapatações de insta­lações, enfim, aos meios tam­bém fundamentais para o próprio funcionamento decente da UFMA.

Desejo expressar aqui que a minha visão acerca da reunião da SBPC extrapola o período fí­sico de sua realização, no qual ganhou muito a cidade de São Luís que experimentou o ensejo de hospedar pessoas vindas de variadas orígens. Entendo ter o evento um sentido mais amplo e profundo, pois se tornou deten­tora de um sem número de traba­lhos de pesquisas, dirigidas para o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e muitos deles, tendo como pano de fundo, inventos e pesquisas originárias de estudiosos do próprio Mara­nhão.

A minha percepção sobre a SBPC, repito, é também no senti­do de que sua mensagem, sua forte mensagem, ecoe nos luga­res em que trabalham os corpos discente, docente e administrati­vo da UFMA, com o objetivo de ser criada uma consciência de­finitiva acerca do seu significa­do e das repercussões ou interligações permanentes que ela, para se afirmar como tal, para ser mais útil, como haverá de ser, de forma interruptível, com a sociedade, através de seus inúmeros segmentos.

É verdade que há, no Mara­nhão, um ambiente cultural em efervescência, mas que precisa ser coordenado, sistematizado, orientado, a fim de que ele não se perca no vazio das deçep­ções. E a UFMA, aliada à UEMA e outros órgãos, deve com o exem­plo da SBPC, quebrar as amarras e cuidar de se aliar à ciência e à tecnologia, frutos das descober­tas e das análises laboratoriais, bem como as manifestações es­pontâneas enriquecedoras das nossas tradições.

Pois bem, rememorando o pas­seio que empreendi pelas insta­lações da UFMA, tal como outras pessoas, e estas certamente de grande influência no país, fiquei admirado com o trabalho ali con­cretizado através dos tempos. E tudo na surdina, sem alarde e sem que ninguém percebesse. Só mesmo os que colocaram na alma a responsabilidade de tão grande obra.

Por fim, conscientizo-me cada vez mais que vivemos uma fase emblemática. O próprio título Universidade Federala do Mara­nhão é um deles. Temos de compreender que uma instituição desse nível, agora é vista como das melhores do Norte e Nordes­te do país, pelo menos em área prédio e equipamentos que pos­sui. Daí ser imprescindível, tam­bém, a colaboraçãoa efetiva, tal como aconteceu durante a reu­nião da SBPC, dos organismos policiais e de limpeza pública, indispensáveis à ordem e à boa aparência do campus e da cida­de como um todo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Scroll to Top