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                                                 Carlos Gaspar*                                 18.06.95

Eu costumava dizer, comumente, que São Luís é uma cidade para se amar de longe. Este meu pensamento decorria do ambiente provinciano em que vivíamos, propício ao disse-me disse, ao fuxico, às invencionices, aos boatos que, embora incômodos de verdade e tornam o entretenimento relevante de qualquer lugar de vida pacata.

Hoje não,a capital do Maranhão tem ares modernos. Projeta-se no sentido de se livrar daqueles ranços, ao passo em que o número de hsbitsntes aumentando, especialmente em razão da chegada de patríocios brasileiros oriundos de outros estados. Isto sem incluir o ingresso constante, diário, de um sem número de conterrâneos, procedentes do interior, movidos pela desilusão da vida e esperança de construir, em diferentes plagas, um futuro melhor.

Estas realidades, matizadas de causas diversas e de uma complexidade difícil de analisar, impõem efeitos danosos, porém não insanáveis. O ideal seria, por parte das autoridades, manter uma completa e ininterrupta vigíliua no tratamento e desdobramentos que tais movimentos migratórios produzem.

Pois bem, na quarta-feira última, estive na Prefeitura, a convite da Dra. Conceição Andrade, para assistir à posse do ex-deputado Juarez Medeiros, no carfo de presidente da Coliseu. A solenidade em si foi longa, mas proveitosa. É que o ocupante anterior na direção da mencionada empresa fez um detalhado relato das atividades que colocou em práticadurante sua gestão. Confesso que fiquei impressionado com a riqueza de informações e, depois, refleti o quanto foi útil para mim aquela oportunidade. Assim, mais me convenço de que a administração municipal está no caminho certo, pois busca tomar medidas que vêm ao encontro dos interesses e das prioridades da nossa sociedade.

Em seguida ouvi o discurso do recém-empossado. Fala candente de experimentado parlamentar. Grande entusiasmo e motivação demonstrados. Parecia até que, a partir daquele momento, a face de São Luís já estava começando a mudar, em decorrência de uma imediata maquiagem que iniciava a se processar. Com tantas palavras de otimismo, é provável que eu também me tenha empolgado além da conta, com esses pensamentos. Mas nisso, verifico agora, estava unicamente o desejo de ver a nossa urbe limpa e embelezada, como realmente ela merece. Mulher de trços finos e de charme incomum, esta São Luís, pensei, dentro em breve irá exibir todas essas qualidades, para encantamento maior de seus moradores e dos que nos visitam. Ninguém, absolutamente ninguém, evitará cortejá-la.

Claro que quem assume o comando de alguma instituição habitualmente procura adotar seu estilo próprio. Porém neste especto é fundamental ter um pouco de cuidado, porquanto se deve ter em vista que as transições se operam sempre de modo cauteloso, a fim de que as rotinas nao sofram solução de continuidade, nem tampouco aquilo que é a essência, o sentido de ser da entidade seja mutilado.

Já me disseram que tenho o hábito de me meter em tudo. De opinar sobre o que não devo. De manifestar desnecessariamente acerca diosto ou daquilo. Ainda não me convenci de que esses conselhos estejam corretos. Considero-me, e de fato o sou, um cidadão. Como tal tenho o direito de participar, direta ou indiretamente, das decisões que afetam a minha vida, como membro da comunidade. Por isso mesmo, vou deixar aqui uma sugestão para a nova Diretoria da Coliseu. Ela pode nem ter muito significado para a maioria, mas obviamente terá para os que vêem esta cidade como umam jóia preciosa, que precisa apresentar-se com brilho ofuscante, a fim de que não haja quem desconheça seu valor, sua elegância e seus encantos como eu. E a proposta é exatamente no sentido de que Juarez Medeiros consiga fazer com que todos amem, mas amem relamente São Luís. Não basta gostar. É imprescindível que se ame profundamente, pois somente com esse sentimento, unicamente sendo portadora dessa maneira de ser, pe que a população colaborará, coma espontaneidade desse afeto, no sucesso, no êxito de qualquer projeto.

Procurei transmitir, no início, que a terra dos ludovicenses está em fase metamorfósica. E é natural que assim ocorra, pelos motivos igualmente expendidos nos primeiros parágrafos. Aliás, Joaquim Nabuco dentre muitos, legou-nos a lição de que imaginar uma sociedade impenetrável às mutações das épocas é imaginar um corpo sem porosidade. O injustificável, o irresponsável até é permitir que essas transformações sigam seu rumo sem qualquer acompanhamento. E é exatamente disso que São Luís está carecendo,para que se mantenha a mesma de ontem, tão jovem e atraente como há cionquenta anos quando a conheci e por ela me apaixonei. O ti-ti-ti da vida alheia está na etapa final. Agora, com a amplitude aumentada e a quantidade de habitantes se multiplicando sem parar, a preocupação é outra. Esta incumbência sem sobra de dúvidas, é de Juarez Medeiros, qual seja a de fazer que cada um, nascido aqui ou não, vindo de longe ou de perto, de dentro ou de fora do estado, não veja a cidade de La Ravardiére apenas como o local onde eventualmenbte mora, ou ganha dinheiro, mas a sua terra carinhosa e acolhedora que clama por reciprocidade traduzida em um tratamento afetuoso. O povo deve se conscientizar da importância dxe amar a cidade. E o novo dirigente da Coliseu, só ele mesmo, poderá despertar este sentimento adormecido.

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