Carlos Gaspar* 14.07.1991
Como vai o Maranhão? Por que o governo ainda não deslanchou? O que está acontecendo? Estas interrogações e preocupações, aliadas aos mais variados comentários, estão na cabeça das pessoas. Às vezes, até na expressão e nas palavras do próprio governador. Claro que muita coisa deve haver por detrás de tudo isso e com certeza a maioria nem é do cohecimento público. A plebe só sabe ou ouve dizer o que é noticiado e geralmente se divulga apenas o que convém. Por isso, a expectativa em torno das ações do governo vai aumentando na proporção exata da correlação entre o passar do tempo e aquilo que, objetivamente, está sendo realizado. Essa avaliação, descompensada, é que gera questionamentos, apreensões e inquietações.
A dívida pública estadual, em razão do destaque que a ela tem sido dado pelas próprias autoridades, passa a imagem da preocupação maior do governo. Transparecer este, com muita constância e até com relevância primeira, a existência de grande obstinação, no sentido de renegociar, para prazos mais dilatados, suas obrigações. De outro lado, o principal credor, o governo federal, dá sinais de instabilidade no comportamento da discussão do assunto, que podem ser justificados em razão de determinados fatos ou posicionamentos políticos das bases parlamentares de sustentação do governo Lobão. O preocupante, no caso, é que a disposição de conseguir o alongamento da dívida extrapole os limites normais de sua importância e venha a se constituir em verdadeira obsessão, tal como acontece com o presidente Collor que, cingido na luta doentia contra a inflação, esqueceu que o país existe como povo, principalmente. Daí a recessão, o desemprego, a fome, a miséria e a criminalidade, inseridas profundamente no contexto da população brasileira como um todo. Ao palmilhar este único caminho, provou também o governo Collor que não trouxe consigo qualquer tipo de planejamento global para o país e a única opção para a qual se voltou fez guindar aos piores níveis de insatisfação todas as camadas da população brasileira, excetuando-se, naturalmente, a mini-minoria beneficiada, que não faz parte de camada alguma e nem é população.
Este exemplo tem servido a todos nós e nada justifica a incidência no mesmo erro. Daí porque, concomitantemente à luta pela prorrogação das contas a vencer –parece não existir nenhuma vencida –, é salutar e fundamental a execução de práticas reais, efetivas. A reforma administrativa, com o fim de baratear e agilizar a máquina estatal, além de colocar à disposição da população os fundamentais serviços básicos de saúde e educação, parece constituir a espinha dorsal de todo o plano do Governo Lobão. Aliada a ela e não menos importante, o densenvolvimento da produção agrícola, especialmente direcionada ao cutivo e colheita de grãos, poderá fazer com que o Maranhão volte a alcançar os níveis de safras correspondentes aos ocoridos oito ou dez anos passados. Neste particular demonstra ter muita conciência o senhor Secretário de Agricultura, esperando-se que ele não se perca no emaranhado das empresas desnecessárias e deficitárias, integrantes de sua pasta, verdadeiros cabides de empregos, instituições a serviços das pressões políticas não condizentes com os interesses do Estado e, portanto, sugadoras permanentes dos minguados recursos públicos.
Aos cem dias de administração foi lançado pelo Governador Edison Lobão o plano PAI-I, que veio com a finalidade de atender algumas emergências, especialmente nas áreas da saúde, da educação e da infra-estrutura, além de dar continuidade a determinadas obras anteriormente iniciadas. Os recursos para execução, na ordem de cinco bilhões de cruzeiros, já se encontravam entesourados. Aliás, parece que até hoje, na sua maior quantia, continuam guardados, na expectativa documprimento dos cronogramas fisícos das obras contempladas. Talvez seja mesmo por causa disso que o governador, segundo foi amplamente divulgado, resolveu mudar de estilo – ainda não aderiu ao “soft”, graças a Deus -, arregaçando as mangas e partindo para o campo, ao deixar de lado o expediente burocrático e muitas vezes improdutivo do Palácio, onde mais se apresentam os que pedem e pressionam em vez daqueles que oferecem sugestões, colaboração e solução.
Espera-se, ansiosamente, que o governo deslanche com urgência, confiantes que estão todos da obstinação do seu chefe, que já deve ter pensado e repensado o Maranhão, nas suas dívidas injustificadas e no processo de encaminhamento das alternativas à reorganização administrativa do Estado e à preservação do nosso crescimento.